3 de março de 2016

Sobre o nascimento da minha filha!

Poeta Tulio Rodrigues
Quem puder compartilhar, agradeço!

No dia 17 de fevereiro nasceu a minha filha. Sendo que o que para muitos parece começar nesse momento para os pais, começa na descoberta da gravidez, o famoso Pré-Natal.

O Pré-Natal dela foi feito com um médico até os 7 meses e depois mudamos para o médico Dr Fabio Farah. Tivemos 3 consultas. Em duas não deu 5 minutos de consulta, não colocou sequer a mão na barriga, se furtou somente a ver ultras e exames. Em uma ele não foi. Sem contar que a espera das consultas foram de 8 horas na primeira e 4 horas na última. Foi na última consulta que ele marcou o parto para o dia 17 de fevereiro na Clínica São Silvestre. Falamos com o seu secretário Robson Lopes que nos deu a guia e as primeiras orientações: Última refeição bem leve às 11:30, chegar por volta das 13 horas para pagamento do parto e instalação no quarto e às 14 horas minha noiva seria encaminhada para o Centro Cirúrgico para ter a neném. OK. Cumprimos tudo direitinho.

Chegamos lá, fizemos toda questão burocrática como pagamento e etc... E foi passando a hora. Deu 14, 15, 16 horas e me dirigi a recepção para perguntar sobre alguma previsão. A recepcionista mau humorada e mal educada me respondeu que não havia previsão para nos instalar num quarto. Começou a peregrinação pelos nossos direitos. Comecei a pressionar os funcionários para alguma solução. Afinal, de nossa parte tudo estava sendo feito de acordo e nada da parte deles. Em nenhum momento qualquer funcionário foi nos dar alguma satisfação.

Após muito revindicar e falar com o Robson Lopes, por volta das 17 horas nos colocaram com outras famílias no corredor do hospital a espera de quarto, mas em nenhum momento nos davam qualquer previsão para a cirurgia. Quiseram nos colocar num quarto que estava longe do que pagamos. O quarto não tinha cama adequada para uma mulher em pós-cirurgia, as paredes estavam com massa corrida e com cheiro forte. Não topamos ficar naquele quarto. E o tempo todo frisei que não adiantava nos colocarem num quarto sem previsão para a cirurgia. O Robson Lopes junto com outro funcionário não podia me dar a previsão, insisti para que pudesse falar com alguém que desse a resposta.

O que deve ser um momento especial aos pais, a criança e a família, se transformou num transtorno sem fim, nos tirando a calma e a tranquilidade. Além de toda expectativa para a chegada de um filho, há sempre o temor pela cirurgia, pelo parto por parte dos pais e naquele momento ainda fomos impelidos a todo esse problema. Minha noiva estava desde às 11:30 da manhã sem comer nada e também sem poder beber água, quando ela bebia era com pequenos goles como recomendado por eles. Vale ressaltar que como nós, outras pessoas passavam pelo mesmo e pessoas que moram longe de São Gonçalo, pessoas de todo o Estado do Rio de Janeiro.

Às 17:50 nos colocaram num quarto. Quarto amplo, com a cama adequada pra minha noiva, cama para o acompanhante e berço para a neném. Houve quartos que não tinham berços, as mães tinham que colocar seus bebês na cama. Durante a noite, somente uma enfermeira ficou no auxilio de dezenas de mães que após a cirurgia não conseguem nem andar e muitas, às vezes sem acompanhante.

Às 17:59 minha noiva foi encaminhada para o centro cirúrgico. Ela me relatou que foi muito bem tratada, a cirurgia foi um sucesso, ela e a neném ficaram bem e tudo correu bem até a retirada dos pontos que foi no sábado, dia 27 de fevereiro. Não pude acompanhar o parto, pois o Fabio Farah nos disse na última consulta que não podia, pois um pai havia desmaiado no centro cirurgico e blá blá blá, desculpa que ele sempre dá, mas por lei toda gestante pode ter um acompanhante no período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Lei de 2005, assinada pelo Vice-Presidente José Alencar, mas eu desconhecia tal informação e me foi retirado a oportunidade de ver a minha filha nascer. Link que fala da lei: planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11108.htm
Link com mais detalhes da Lei do Acompanhamento: guiadobebe.uol.com.br/lei-do-acompanhante-do-parto/

Esse longo texto não tem o tom só de reclamar, mas evitar que outras pessoas passem pelo mesmo num momento tão especial na vida de uma família. Se eu não tivesse reclamado, não sei nem se minha filha tinha nascido por volta das 18 horas, não sei se nos colocariam num quarto decente, pois outras mães na mesma situação tiveram seus filhos pelas tantas da noite. Nós que pagamos com dificuldade para que nossos filhos tenham um parto com tratamento decente para não depender do SUS, não podemos aceitar passar por isso calados, sermos tratados como gados sem reclamar e lutar por nossos direitos. Ressalto que todo esse transtorno foi acompanhado por diversas testemunhas.

Não é pelo dinheiro pago, mas pela nossa dignidade, pela saúde das mães, dos bebês, é pelo direito de ser tratado como seres humanos!!!!

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