11 de novembro de 2013

Soneto: O bastardo

Poeta Tulio Rodrigues
Ilustração de Jana Magalhães


A dor do filho meu eu sinto agora,
ao relembrar a dor do meu rebento...
O mundo assim disperso e nunca atento
faz-me sentir a mesma dor de outrora...

Ramo de flor, tu foste só o invento
com que minha inocência foi embora
desejando até tudo morto a fora
porque vivo só resta se for vento... 

Não dei pai nem família a este filho
que pelo mundo está, talvez, perdido
sem Deus, sem rumo, a caminhar sem trilho...

Filho meu, neste mundo retardado...
Filho meu – por mim nunca protegido...
Filho meu – tão querido... E tão bastardo...


Publicado em meu primeiro livro, o "Ensaio poético", editado em 2009.


Twitter: @PoetaTulio