4 de setembro de 2013

A lição da Lista de Schindler

Poeta Tulio Rodrigues


Antes de conhecer o Holocausto, para mim, a maior manifestação de preconceito era contra os negros escravos na época das colônias, como no Brasil, por exemplo. Ainda no antigo primário, quem nunca estudou sobre a escravidão no Brasil? Para mim, o que lia nos livros didáticos da escola, era a mais absurda e besta ignorância num ser humano.

Isso durou até ver o filme a “Lista de Schindler” e ouvir o tão famoso “baseado em fatos reais”. O filme que retrata o início da Segunda Guerra Mundial mostra os alemães Nazistas de Hitler realocando os judeus poloneses no que chamavam de “Gueto da Cracóvia”.

Oskar Schindler era um empresário alemão, “bon vivant” e muito rico. Schindler monta uma fábrica de panelas que eram produzidas pelo exército. A mão de obra ficava por conta dos judeus poloneses.

Nesse meio tempo, o filme mostra as atrocidades que os alemães e até mesmo os poloneses cometem contra os judeus como mortes sumárias sem motivos das mais diversas formas e cruéis possíveis. Não havia discriminação com idade, sexo... Bastava ser judeu para sobreviver e trabalhar de formas sub-humanas. 

Num dado momento, as ordens era exumar e queimar todos os judeus e enviar o restante para o campo de concentração de Auschwitz, campo que morreu Olga Benário após ser entregue por Getúlio a Hitler, Schindler, funda uma fábrica de munições em sua terra natal, Brinnlitz, na Tchecoslováquia. Após subornar diversos oficiais nazistas, Schindler leva com ele mil e cem judeus.

Em sete meses de funcionamento, a fábrica nunca produzira uma munição. Schindler comprava de outras companhias. Com isso acaba gastando a sua fortuna e o exercito alemão se rende. Schindler como membro do Partido Nazista é obrigado a fugir. Os judeus estão livres. Não de Schindler, que os tratava como seres humanos.

O filme termina com os judeus sobreviventes colocando uma pedra na lápide de Schindler; um costume judeu de gratidão. Schindler virou deus como alguns disseram ao não só salvar a vida de mais de mil judeus, mas de preservar diversas gerações.

Hitler matou seis milhões de judeus.

O filme de Steven Spielberg é um épico emocionante. Anos depois de tê-lo assistido, comprei o DVD que no bônus tem o documentário “As vozes da lista” que tem depoimentos dos judeus de Schindler e retrata fielmente o filme. Steven Spielberg é fundador e presidente da Fundação Shoah, que entrevista e cataloga depoimentos em vídeo de sobreviventes do Holocausto.

Rever o filme e todas essas atrocidades contra os judeus mesmo após tantos anos, ainda me deixa pensando como é possível dar diferença aos seres humanos por cor, raça, religião, preferência ou qualquer coisa do tipo?

Como pode haver mortes por motivos torpes por gente tão ignorante? Infelizmente houve e ainda há mesmo que de outra forma.

Assim como me impressionou o filme a “Lista de Schindler” pela crueldade cometida pelos alemães aos judeus com o emblemático “baseado em fatos reais”, impressiona como podem existir homens como Oskar Schindler que pode proporcionar a muitas pessoas, finais felizes pela nova oportunidade de viver mesmo com todas as adversidades! 

Como os judeus saudavam Schindler quando ele estava fugindo dos Russos no fim da guerra e lamentando porque achou que poderia ter salvado mais vidas: "Aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro".

Fica uma lição de vida “baseada em fatos reais”!


Twitter: @PoetaTulio