15 de fevereiro de 2012

TulioCast 2 - Cruz e Sousa e Manoel Virgílio.


O TulioCast é um programa de Poesia e música. Terá sempre como grande homenageado um poeta clássico e poetas contemporâneos. A ideia é de no futuro ter a cada Podcast um tema. O TulioCast é um pequeno programa de poesia divido em três blocos. A cada intervalo entre um bloco e outro será sempre com música da melhor qualidade. Venha conferir!



No programa de hoje:

Poeta homenageado:

Cruz e Souza

Poeta contemporâneo homenageado:

Manoel Virgílio (manoelvirgiliocortes.blogspot.com)

Primeiro Bloco:

Poesias:

Afra: Cruz e Souza

Meus versos... Meus sonetos: Manoel Virgílio

O meu chamado: Tulio Rodrigues

Costurando Palavras: Tulio Rodrigues

Extremos: Cruz e Souza

Músicas:

Tanta saudade: Ana Carolina e Seu Jorge

Pessoal particular: Seu Jorge e Peu Murray

Segundo bloco:

Poesias:

Post Mortem: Cruz e Souza

De mãos dadas: Tulio Rodrigues

Eu: Manoel Virgílio

A pátria livre: Cruz e Souza

Eu perdi você no tempo: Tulio Rodrigues

Músicas:

Clocks: Coldplay

Arco íris: Jorge Vercilo

Bloco 3:

Poesias:

Asas partidas: Cruz e Souza

Anjo que te guia: Tulio Rodrigues

Soneto da saudade: Tulio rodrigues

No campo santo: Cruz e Souza

Músicas:

Tudo bem: Lulu Santos

Você, você: Chico Buarque 


 
Biografia de Cruz e Souza:

João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), 24 de novembro de 1861 — Estação do Sítio, 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro.
Alcunhado Dante Negro e Cisne Negro. Foi um dos precursores do simbolismo no Brasil.
Filho dos negros alforriados Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro, e Carolina Eva da Conceição, João da Cruz desde pequeno recebeu a tutela e uma educação refinada de seu ex-senhor, o Marechal Guilherme Xavier de Sousa - de quem adotou o nome de família, Sousa. A esposa de Guilherme Xavier de Sousa, Dona Clarinda Fagundes Xavier de Sousa, não tinha filhos, e passou a proteger e cuidar da educação de João. Aprendeu francês, latim e grego, além de ter sido discípulo do alemão Fritz Müller, com quem aprendeu Matemática e Ciências Naturais.

Em 1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial. Em 1883, foi recusado como promotor de Laguna por ser negro. Em 1885 lançou o primeiro livro, Tropos e Fantasias em parceria com Virgílio Várzea. Cinco anos depois foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil, colaborando também com o jornal Folha Popular. Em fevereiro de 1893, publica Missal (prosa poética baudelairiana) e em agosto, Broquéis (poesia), dando início ao Simbolismo no Brasil que se estende até 1922. Em novembro desse mesmo ano casou-se com Gavita Gonçalves, também negra, com quem teve quatro filhos, todos mortos prematuramente por tuberculose, levando-a à loucura.

Faleceu a 19 de março de 1898 no município mineiro de Antônio Carlos, num povoado chamado Estação do Sítio, para onde fora transportado às pressas vencido pela tuberculose. Teve o seu corpo transportado para o Rio de Janeiro em um vagão destinado ao transporte de cavalos. Ao chegar, foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier por seus amigos, dentre eles José do Patrocínio, onde permaneceu até 2007, quando seus restos mortais foram então acolhidos no Museu Histórico de Santa Catarina - Palácio Cruz e Sousa, no centro de Florianópolis.

Cruz e Sousa é um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.
Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca. É certo que encontram-se inúmeras referências à cor branca, assim como à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus versos.
No aspecto de influências do simbolismo, nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Baudelaire ao espiritualismo (e dentro desse, ideias budistas e espíritas) ligados tanto a tendências estéticas vigentes como a fases na vida do autor.

LÉSBIA

Cróton selvagem, tinhorão lascivo,
Planta mortal, carnívora, sangrenta,
Da tua carne báquica rebenta
A vermelha explosão de um sangue vivo.

Nesse lábio mordente e convulsivo,
Ri, ri risadas de expressão violenta
O Amor, trágico e triste, e passe, lenta,
A morte, o espasmo gélido, aflitivo...

Lésbia nervosa, fascinante e doente,
Cruel e demoníaca serpente
Das flamejantes atrações do gozo.

Dos teus seios acídulos, amargos,
Fluem capros aromas e os letargos,
Os ópios de um luar tuberculoso...
-- Cruz e Sousa / Broquéis (1893).
Embora quase metade da população brasileira seja não-branca, poucos foram os escritores negros, mulatos ou indígenas. Cruz e Sousa, por exemplo, é acusado de ter-se omitido quanto a questões referentes à condição negra. Mesmo tendo sido filho de escravos e recebido a alcunha de "Cisne Negro", o poeta João da Cruz e Sousa não conseguiu escapar das acusações de indiferença pela causa abolicionista. A acusação, porém, não procede, pois, apesar de a poesia social não fazer parte do projeto poético do Simbolismo nem de seu projeto particular, o autor, em alguns poemas, retratou metaforicamente a condição do escravo. Cruz e Sousa militou, sim, contra a escravidão. Tanto da forma mais corriqueira, fundando jornais e proferindo palestras por exemplo, participando, curiosamente, da campanha antiescravagista promovida pela sociedade carnavalesca Diabo a quatro, quanto nos seus textos abolicionistas, demonstrando desgosto com a condução do movimento pela família imperial.
Quando Cruz e Sousa diz "brancura", é preciso recorrer aos mais altos significados desta palavra, muito além da cor em si.

Obras
  • Broquéis (1893, poesía)
  • Missal (1893, poemas en prosa)
  • Tropos e Fantasias (1885, poemas en prosa, junto a Virgílio Várzea)
Obra póstuma

  • Últimos Sonetos (1905)
  • Evocações (1898, poemas em prosa)
  • Faróis (1900, poesía)
  • Outras evocações (1961, poema em prosa)
  • O livro Derradeiro (1961, poesía)
  • Dispersos (1961, poemas em prosa)
Fonte de pesquisa: Wikipedia
 

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